O New York Times publica uma artigo de autoria de Nelson D. Schwartz "France, Unlike U.S., Is Deep Into Stimulus Projects". O artigo trata de um programa do governo francês de estímulos à economia, que passa pela recuperação de 50 palácios. São 100 milhões de euros dedicados à salvaguarda do património cultural.
O artigo foi reproduzido na edição de hoje do jornal "i". Aconselho a leitura do comentário, a propósito deste artigo, de Bruno Faria Lopes, intitulado "Cultura fora do TGV dos gastos". A ler...
sexta-feira, 17 de Julho de 2009
quarta-feira, 13 de Maio de 2009
No ano de abertura do Museu de Foz Côa
Os excelentes "Encontros com o Património" da TSF mais uma vez. Desta feita Foz Côa e as figuras gravadas na pedra. Arte ou sinalética? Nesta viagem acompanham o jornalista Manuel Vilas-Boas como convidados o professor catedrático José Jimenez, a investigadora Teresa Cruz, o arqueólogo António Martinho Baptista e o artista plástico Alberto Carneiro.
Ouça aqui.
Ouça aqui.
quarta-feira, 8 de Abril de 2009
O orgão do Mosteiro do Lorvão
Reproduzimos aqui mais um apelo pela causa da defesa do patromínio.
Em Maio de 2008 lançamos uma petição pela reparação do órgão de tubos do Mosteiro de Lorvão. O objectivo foi associar a comunidade a uma luta já longa que travamos pela reparação daquele que é uma das peças mais originais do património histórico-cultural português. O órgão de tubos do Mosteiro de Lorvão é unico quer pela sua dimensão e decoração quer pelo facto de ser o único do país com duas fachadas - a da igreja e a do côro.
O Estado português arrasta a questão da reparação daquela peça artística desde 1992, altura em que procederam a desmontagem do Órgão para reparação. Desde então as peças nunca mais foram recolocadas no seu local de origem. Nem reparadas nem por reparar!
É imperioso que consigamos juntar o máximo de assinaturas, com vista a forçar o poder político a discutir o assunto em plenário da Assembleia da República. É um dever de cidadania forçar quem nos dirige a dar atenção ao património historico do país, que constitui uma riqueza inestimável e que, sobretudo em meios pequenos, pode ser transformado num factor de desenvolvimento.
Assim, lançamos agora a petição online para que mais cidadãos possam participar.
Contamos convosco, basta aceder ao link abaixo e assinar a petição, não demora mais do que um minuto.
http://www.peticao.com.pt/orgao-de-tubos-mosteiro-de-lorvao
Abraço e obrigado
Mauro Carpinteiro
Em Maio de 2008 lançamos uma petição pela reparação do órgão de tubos do Mosteiro de Lorvão. O objectivo foi associar a comunidade a uma luta já longa que travamos pela reparação daquele que é uma das peças mais originais do património histórico-cultural português. O órgão de tubos do Mosteiro de Lorvão é unico quer pela sua dimensão e decoração quer pelo facto de ser o único do país com duas fachadas - a da igreja e a do côro.
O Estado português arrasta a questão da reparação daquela peça artística desde 1992, altura em que procederam a desmontagem do Órgão para reparação. Desde então as peças nunca mais foram recolocadas no seu local de origem. Nem reparadas nem por reparar!
É imperioso que consigamos juntar o máximo de assinaturas, com vista a forçar o poder político a discutir o assunto em plenário da Assembleia da República. É um dever de cidadania forçar quem nos dirige a dar atenção ao património historico do país, que constitui uma riqueza inestimável e que, sobretudo em meios pequenos, pode ser transformado num factor de desenvolvimento.
Assim, lançamos agora a petição online para que mais cidadãos possam participar.
Contamos convosco, basta aceder ao link abaixo e assinar a petição, não demora mais do que um minuto.
http://www.peticao.com.pt/orgao-de-tubos-mosteiro-de-lorvao
Abraço e obrigado
Mauro Carpinteiro
domingo, 15 de Março de 2009
Concentração pelo Museu dos Coches
Reproduzimos para vossa informação o seguinte apelo:
Todos à concentração nacional dia 18 pelas 18:00 na Avenida da Índia, junto à Praça Afonso de Albuquerque em defesa do nosso património! Há outras prioridades para os 31,5 milhões do jogo do Casino Lisboa! Museu dos Coches: Opositores à construção de novo museu dizem que assessor de Sócrates os "acolheu bem" Lisboa, 11 Mar (Lusa) - A Plataforma pelo Património Cultura (PP-Cult) e o Fórum Cidadania Lisboa afirmaram hoje que "houve um bom acolhimento" na reunião com o assessor do primeiro-ministro, onde expuseram os argumentos contra a construção do novo Museu dos Coches. O assessor para a Cultura, Alexandre Melo, ouviu os argumentos "mas a sua função não é de intervir directamente, como nos explicou", disse à saída aos jornalistas Luís Raposo da PP-Cult. Todavia, Luís Raposo sublinhou: "Não damos por adquirido que tenham começado as obras e o ciclo eleitoral que se avinha é mau conselheiro para um empreendimento tão polémico como este". Segundo os responsáveis das duas organizações, "não há um só especialista em património ou museologia que venha a terreiro defender o projecto do novo Museu dos Coches". Para o arqueólogo Luís Raposo, "há esperança que o bom senso possa prevalecer" e afirmou-se satisfeito por o Governo ter visto que a posição que defendem "é motivada por um espírito de critica construtiva e não de bota a abaixo". No final do encontro, que durou cerca de duas horas, Raposo disse ainda terem pedido ao Governo "tempo necessário para que haja o debate". Os defensores de uma alternativa ao projecto do novo Museu dos Coches querem "tempo para a sociedade civil pensar e não confrontar-se com uma política de facto consumado", disse Raposo. Os opositores ao novo museu consideram que os dinheiros públicos podem ser "melhor aplicados", a começar pela própria colecção dos coches. "Dos três coches da embaixada de D. João V ao Papa apenas um se encontra bem conservado", disse José Arnaut, presidente da Associação dos Arqueólogos Portugueses. “Há outras prioridades no parque museológico nacional, bastando olhar alguns museus nacionais de Lisboa, como o de Arqueologia, de Arte Antiga, do Azulejo ou da Música”, frisaram os responsáveis. "Vai esbanjar-se dinheiro num projecto que ninguém apoia e há museus com falta de pessoal e salas fechadas, é essa a imagem que queremos dar de Portugal aos turistas que nos visitam", questionou João Aguiar da secção portuguesa do ICOMOS (International Council on Monuments and Sites). As duas organizações entregaram "uma carta de protesto" na qual exigem a suspensão das obras do novo Museu dos Coches e marcaram uma manifestação para dia 18 junto às actuais instalações dos Serviços de Arqueologia, à avenida da Índia, em Belém, Lisboa. NL. Lusa/Fim Museu de Arqueologia: Instalação na Cordoaria Nacional "é um risco perigoso" – arqueólogos Lisboa, 11 Mar (Lusa) - Os responsáveis da Plataforma pelo Património Cultural (PP-CUL) desaconselharam a instalação do Museu Nacional de Arqueologia (MNA) na Cordoaria Nacional por se encontrar numa zona de “elevado risco sísmico”. Os arqueólogos Luís Raposo e Jacinta Bugalhão falavam aos jornalistas no final de um reunião com o assessor para a Cultura do primeiro-ministro, a quem entregaram "uma carta de protesto" na qual existem a suspensão das obras do novo Museu dos Coches. "Instalar o Museu de Arqueologia na Cordoaria Nacional é um risco perigoso", alertaram os dois arqueólogos. A Cordoaria situa-se "na zona de maior risco sísmico da cidade de Lisboa, onde não é prudente guardar ou expor tesouros nacionais únicos", explicaram Luís Raposo e Jacinta Bugalhão. Os dois responsáveis apontaram vários factores que "exigem uma alteração tal na Cordoaria que esta se descaracteriza”, salientando que o edifício localizado na Junqueira “também é um monumento nacional". "Desde o telhado em telha vã à necessária climatização e regras de segurança, há um conjunto de necessidades que implica construir uma coisa nova dentro da própria Cordoaria, retirando-lhe a traça", disse por seu turno João Aguiar, membro da Comissão Nacional Portuguesa do Conselho Internacional dos Monumentos e dos Sítios, também presente na reunião. "A Cordoaria tem de ser respeitada enquanto tal", sublinharam. Numa audição parlamentar a 03 de Fevereiro, o ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, questionado pela oposição sobre a mudança dos Serviços de Arqueologia do seu Ministério que se encontram nos terrenos onde ficará instalado o futuro Museu dos Coches, referiu que chegou a acordo com o Ministério da Defesa para que o edifício da Cordoaria Nacional passe para o seu Ministério e que aí instalará todos os serviços de arqueologia. Mais tarde, por insistência dos deputados, o ministro acabou por admitir que essa transferência também abrangeria o MNA e dias depois, em entrevista ao Público, clarificou o assunto. O Museu Nacional de Arqueologia "vai ser reinstalado e na Fábrica Nacional de Cordoaria. Já tem um projecto que ainda não está determinado nos seus detalhes. Neste momento há um acordo para que o actual espaço do MNA seja transmitido para a Defesa. Vai ser uma extensão do Museu da Marinha, onde ficará a arqueologia subaquática", disse o ministro ao jornal. O MNA está instalado no Mosteiro dos Jerónimos há mais de 100 anos e em 2008 foi o segundo museu nacional mais visitado, a seguir ao Museu dos Coches. NL. Lusa/Fim Há cerca de um século que o Museu dos Coches está no mesmo espaço sendo hoje o Museu mais visitado sem entradas gratuitas como certos museus, nem campanhas de propaganda. Como museus, aliás bem próximos... O novo espaço que lhe é destinado ultra-moderno sabe-se já que não conseguirá albergar toda a colecção de coches. Além da descordialidade que é construi-lo naquele emblemático local, cortando em absoluto com as vistas e o que o rodeia. E o que acontecerá ao Picadeiro Real? Sabe-se também que não é possível voltar à antiga função, logo o que acontecerá ao espaço? Quem explica? Como se coloca um Museu num outro espaço ao revés de todas as opiniões dos especialistas? O actual Museu da forma como está torna-se ainda mais interessante e único, uma "caixinha de jóias" como alguém descreveu à imprensa. Por outro lado a Arqueologia que parece ser a mal-amada deste Governo, Museu e Serviços Arqueológicos ( ex-IPA) estão no centro de mudanças que bradam aos céus, designadamente a actual peregrina ideia de ser tudo instalado na Cordoaria Nacional! Monumento único que vale pelo que é albergando apenas exposições temporárias, e não ser um espaço de tabiques, laboratórios e museu permamente que retira toda a leitura da sua função e característica arquitectónica única! Temos que dizer de nossa lavra e demosntrar que há outras alternativas que não condenem o nosso património e antes o defendam e dignifiquem!
HÁ QUE UNIR IR Á CONCENTRAÇÃO NACIONAL E ASSINAR A PETIÇÃO ONLINE! JÁ!
Todos à concentração nacional dia 18 pelas 18:00 na Avenida da Índia, junto à Praça Afonso de Albuquerque em defesa do nosso património! Há outras prioridades para os 31,5 milhões do jogo do Casino Lisboa! Museu dos Coches: Opositores à construção de novo museu dizem que assessor de Sócrates os "acolheu bem" Lisboa, 11 Mar (Lusa) - A Plataforma pelo Património Cultura (PP-Cult) e o Fórum Cidadania Lisboa afirmaram hoje que "houve um bom acolhimento" na reunião com o assessor do primeiro-ministro, onde expuseram os argumentos contra a construção do novo Museu dos Coches. O assessor para a Cultura, Alexandre Melo, ouviu os argumentos "mas a sua função não é de intervir directamente, como nos explicou", disse à saída aos jornalistas Luís Raposo da PP-Cult. Todavia, Luís Raposo sublinhou: "Não damos por adquirido que tenham começado as obras e o ciclo eleitoral que se avinha é mau conselheiro para um empreendimento tão polémico como este". Segundo os responsáveis das duas organizações, "não há um só especialista em património ou museologia que venha a terreiro defender o projecto do novo Museu dos Coches". Para o arqueólogo Luís Raposo, "há esperança que o bom senso possa prevalecer" e afirmou-se satisfeito por o Governo ter visto que a posição que defendem "é motivada por um espírito de critica construtiva e não de bota a abaixo". No final do encontro, que durou cerca de duas horas, Raposo disse ainda terem pedido ao Governo "tempo necessário para que haja o debate". Os defensores de uma alternativa ao projecto do novo Museu dos Coches querem "tempo para a sociedade civil pensar e não confrontar-se com uma política de facto consumado", disse Raposo. Os opositores ao novo museu consideram que os dinheiros públicos podem ser "melhor aplicados", a começar pela própria colecção dos coches. "Dos três coches da embaixada de D. João V ao Papa apenas um se encontra bem conservado", disse José Arnaut, presidente da Associação dos Arqueólogos Portugueses. “Há outras prioridades no parque museológico nacional, bastando olhar alguns museus nacionais de Lisboa, como o de Arqueologia, de Arte Antiga, do Azulejo ou da Música”, frisaram os responsáveis. "Vai esbanjar-se dinheiro num projecto que ninguém apoia e há museus com falta de pessoal e salas fechadas, é essa a imagem que queremos dar de Portugal aos turistas que nos visitam", questionou João Aguiar da secção portuguesa do ICOMOS (International Council on Monuments and Sites). As duas organizações entregaram "uma carta de protesto" na qual exigem a suspensão das obras do novo Museu dos Coches e marcaram uma manifestação para dia 18 junto às actuais instalações dos Serviços de Arqueologia, à avenida da Índia, em Belém, Lisboa. NL. Lusa/Fim Museu de Arqueologia: Instalação na Cordoaria Nacional "é um risco perigoso" – arqueólogos Lisboa, 11 Mar (Lusa) - Os responsáveis da Plataforma pelo Património Cultural (PP-CUL) desaconselharam a instalação do Museu Nacional de Arqueologia (MNA) na Cordoaria Nacional por se encontrar numa zona de “elevado risco sísmico”. Os arqueólogos Luís Raposo e Jacinta Bugalhão falavam aos jornalistas no final de um reunião com o assessor para a Cultura do primeiro-ministro, a quem entregaram "uma carta de protesto" na qual existem a suspensão das obras do novo Museu dos Coches. "Instalar o Museu de Arqueologia na Cordoaria Nacional é um risco perigoso", alertaram os dois arqueólogos. A Cordoaria situa-se "na zona de maior risco sísmico da cidade de Lisboa, onde não é prudente guardar ou expor tesouros nacionais únicos", explicaram Luís Raposo e Jacinta Bugalhão. Os dois responsáveis apontaram vários factores que "exigem uma alteração tal na Cordoaria que esta se descaracteriza”, salientando que o edifício localizado na Junqueira “também é um monumento nacional". "Desde o telhado em telha vã à necessária climatização e regras de segurança, há um conjunto de necessidades que implica construir uma coisa nova dentro da própria Cordoaria, retirando-lhe a traça", disse por seu turno João Aguiar, membro da Comissão Nacional Portuguesa do Conselho Internacional dos Monumentos e dos Sítios, também presente na reunião. "A Cordoaria tem de ser respeitada enquanto tal", sublinharam. Numa audição parlamentar a 03 de Fevereiro, o ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, questionado pela oposição sobre a mudança dos Serviços de Arqueologia do seu Ministério que se encontram nos terrenos onde ficará instalado o futuro Museu dos Coches, referiu que chegou a acordo com o Ministério da Defesa para que o edifício da Cordoaria Nacional passe para o seu Ministério e que aí instalará todos os serviços de arqueologia. Mais tarde, por insistência dos deputados, o ministro acabou por admitir que essa transferência também abrangeria o MNA e dias depois, em entrevista ao Público, clarificou o assunto. O Museu Nacional de Arqueologia "vai ser reinstalado e na Fábrica Nacional de Cordoaria. Já tem um projecto que ainda não está determinado nos seus detalhes. Neste momento há um acordo para que o actual espaço do MNA seja transmitido para a Defesa. Vai ser uma extensão do Museu da Marinha, onde ficará a arqueologia subaquática", disse o ministro ao jornal. O MNA está instalado no Mosteiro dos Jerónimos há mais de 100 anos e em 2008 foi o segundo museu nacional mais visitado, a seguir ao Museu dos Coches. NL. Lusa/Fim Há cerca de um século que o Museu dos Coches está no mesmo espaço sendo hoje o Museu mais visitado sem entradas gratuitas como certos museus, nem campanhas de propaganda. Como museus, aliás bem próximos... O novo espaço que lhe é destinado ultra-moderno sabe-se já que não conseguirá albergar toda a colecção de coches. Além da descordialidade que é construi-lo naquele emblemático local, cortando em absoluto com as vistas e o que o rodeia. E o que acontecerá ao Picadeiro Real? Sabe-se também que não é possível voltar à antiga função, logo o que acontecerá ao espaço? Quem explica? Como se coloca um Museu num outro espaço ao revés de todas as opiniões dos especialistas? O actual Museu da forma como está torna-se ainda mais interessante e único, uma "caixinha de jóias" como alguém descreveu à imprensa. Por outro lado a Arqueologia que parece ser a mal-amada deste Governo, Museu e Serviços Arqueológicos ( ex-IPA) estão no centro de mudanças que bradam aos céus, designadamente a actual peregrina ideia de ser tudo instalado na Cordoaria Nacional! Monumento único que vale pelo que é albergando apenas exposições temporárias, e não ser um espaço de tabiques, laboratórios e museu permamente que retira toda a leitura da sua função e característica arquitectónica única! Temos que dizer de nossa lavra e demosntrar que há outras alternativas que não condenem o nosso património e antes o defendam e dignifiquem!
HÁ QUE UNIR IR Á CONCENTRAÇÃO NACIONAL E ASSINAR A PETIÇÃO ONLINE! JÁ!
quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009
Petição "Salvem os Museus Nacionais dos Coches e de Arqueologia e o Monumento da Cordoaria Nacional!"
A petição pode ser lida na íntegra, consultada e assinada aqui.
Exmos. Senhores,
Presidente da República Portuguesa, Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva
Presidente da Assembleia da Republica, Dr. Jaime Gama
Primeiro-Ministro, Eng. José Sócrates
Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Dr. António Costa
O Museu Nacional dos Coches sendo de génese monárquica foi com a República que adquiriu o carácter de organização museológica, transformando-se na instituição fundadora da museologia portuguesa, de carácter nacional e com projecção internacional.
O valor artístico do espaço (antigo Picadeiro Real), a raridade da sua colecção (considerada universalmente como a mais notável no seu género, com especial destaque para os três coches monumentais da Embaixada de D. João V ao Papa Clemente XI, construídos em Roma em 1716 e únicos no mundo, bem como o raro exemplar de coche de viagem de Filipe II, construído em Espanha ˆ Século XVI- XVII ˆ e um dos modelos de coche mais antigos de que há conhecimento), e o sistema desenvolvido de exposição desta última, correlacionando-a com imagens e pinturas de época, garantiram-lhe a reputação europeia sem precedentes na história dos museus portugueses e na própria evolução da museologia, através de uma orientação estratégica pioneira pautada por princípios europeus modernos, criando um ambiente de exigência e trabalho de que os próprios republicanos se orgulhavam.
O projecto entretanto surgido para a construção de um novo Museu dos Coches pretende esvaziar o actual edifício e transferir a colecção para um novo espaço a construir, onde se erguem agora as Oficinas Gerais de Material de Engenharia, que serão demolidas. Não pondo em causa a qualidade do projecto de arquitectura, estima-se, no entanto, que este projecto terá um custo actual estimado de 31,5 milhões de euros.
Considerando a actual magnitude internacional do Museu Nacional dos Coches, que é o museu mais visitado de Portugal, muito significativamente por estrangeiros a quem não será indiferente a dignidade e o ambiente do espaço actual de notável valor formal e de antiguidade. Note-se que não é por acaso que em São Petersburgo se optou recentemente pela colocação de um espólio similar no antigo picadeiro real;
Considerando que o actual edifício do Museu, por imperativos técnicos e artísticos (vide, pareceres técnicos de finais dos anos 90), está impossibilitado de acolher a Escola Portuguesa de Arte Equestre, temendo-se, portanto, caso avance o projecto de novo museu, a sua subutilização;
Considerando que o projecto do novo museu não afecta somente o Museu Nacional dos Coches, mas antes constitui um verdadeiro 'terramoto' de efeito ricochete na museologia nacional, pois implicará a obrigação de deslocar os serviços do antigo IPA (actual IGESPAR) da arqueologia subaquática, do depósito de arqueologia industrial, para a Cordoaria Nacional e, por esta via, uma eventual transferência do Museu Nacional de Arqueologia para a mesma Cordoaria, que é Monumento Nacional desde 1996 (DL 2/96, DR 56, de 06-03-1996);
Considerando que a lei obriga a que uma intervenção num Monumento Nacional, como é o caso da Cordoaria Nacional, se fundamente num projecto de conservação e restauro e permita a salvaguarda dos seus valores arquitectónicos e técnicos integrados, não permitindo que se faça uma mera adaptação como parece ser o caso, o que pré-figuraria uma atitude de vandalismo de Estado;
Considerando, portanto, que o projecto em curso se nos afigura completamente desnecessário e impede que as verbas respectivas sejam aplicadas em projectos culturais de verdadeiro interesse público urgente (ex. renovação dos outros museus nacionais sediados em Lisboa, recuperação dos MN em perigo de desclassificação pela UNESCO, qualificação da Cordoaria Nacional, como monumento técnico significativo da actividade marítima portuguesa, etc.);
Os abaixo-assinados requerem a Vossas Excelências uma intervenção rápida no sentido de travar o projecto em curso do novo museu dos coches, garantindo assim a manutenção, nos espaços actuais, do Museu Nacional dos Coches e do Museu Nacional de Arqueologia e a conservação da integridade física e técnica original da Cordoaria, enquanto monumento nacional de interesse internacional.
Exmos. Senhores,
Presidente da República Portuguesa, Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva
Presidente da Assembleia da Republica, Dr. Jaime Gama
Primeiro-Ministro, Eng. José Sócrates
Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Dr. António Costa
O Museu Nacional dos Coches sendo de génese monárquica foi com a República que adquiriu o carácter de organização museológica, transformando-se na instituição fundadora da museologia portuguesa, de carácter nacional e com projecção internacional.
O valor artístico do espaço (antigo Picadeiro Real), a raridade da sua colecção (considerada universalmente como a mais notável no seu género, com especial destaque para os três coches monumentais da Embaixada de D. João V ao Papa Clemente XI, construídos em Roma em 1716 e únicos no mundo, bem como o raro exemplar de coche de viagem de Filipe II, construído em Espanha ˆ Século XVI- XVII ˆ e um dos modelos de coche mais antigos de que há conhecimento), e o sistema desenvolvido de exposição desta última, correlacionando-a com imagens e pinturas de época, garantiram-lhe a reputação europeia sem precedentes na história dos museus portugueses e na própria evolução da museologia, através de uma orientação estratégica pioneira pautada por princípios europeus modernos, criando um ambiente de exigência e trabalho de que os próprios republicanos se orgulhavam.
O projecto entretanto surgido para a construção de um novo Museu dos Coches pretende esvaziar o actual edifício e transferir a colecção para um novo espaço a construir, onde se erguem agora as Oficinas Gerais de Material de Engenharia, que serão demolidas. Não pondo em causa a qualidade do projecto de arquitectura, estima-se, no entanto, que este projecto terá um custo actual estimado de 31,5 milhões de euros.
Considerando a actual magnitude internacional do Museu Nacional dos Coches, que é o museu mais visitado de Portugal, muito significativamente por estrangeiros a quem não será indiferente a dignidade e o ambiente do espaço actual de notável valor formal e de antiguidade. Note-se que não é por acaso que em São Petersburgo se optou recentemente pela colocação de um espólio similar no antigo picadeiro real;
Considerando que o actual edifício do Museu, por imperativos técnicos e artísticos (vide, pareceres técnicos de finais dos anos 90), está impossibilitado de acolher a Escola Portuguesa de Arte Equestre, temendo-se, portanto, caso avance o projecto de novo museu, a sua subutilização;
Considerando que o projecto do novo museu não afecta somente o Museu Nacional dos Coches, mas antes constitui um verdadeiro 'terramoto' de efeito ricochete na museologia nacional, pois implicará a obrigação de deslocar os serviços do antigo IPA (actual IGESPAR) da arqueologia subaquática, do depósito de arqueologia industrial, para a Cordoaria Nacional e, por esta via, uma eventual transferência do Museu Nacional de Arqueologia para a mesma Cordoaria, que é Monumento Nacional desde 1996 (DL 2/96, DR 56, de 06-03-1996);
Considerando que a lei obriga a que uma intervenção num Monumento Nacional, como é o caso da Cordoaria Nacional, se fundamente num projecto de conservação e restauro e permita a salvaguarda dos seus valores arquitectónicos e técnicos integrados, não permitindo que se faça uma mera adaptação como parece ser o caso, o que pré-figuraria uma atitude de vandalismo de Estado;
Considerando, portanto, que o projecto em curso se nos afigura completamente desnecessário e impede que as verbas respectivas sejam aplicadas em projectos culturais de verdadeiro interesse público urgente (ex. renovação dos outros museus nacionais sediados em Lisboa, recuperação dos MN em perigo de desclassificação pela UNESCO, qualificação da Cordoaria Nacional, como monumento técnico significativo da actividade marítima portuguesa, etc.);
Os abaixo-assinados requerem a Vossas Excelências uma intervenção rápida no sentido de travar o projecto em curso do novo museu dos coches, garantindo assim a manutenção, nos espaços actuais, do Museu Nacional dos Coches e do Museu Nacional de Arqueologia e a conservação da integridade física e técnica original da Cordoaria, enquanto monumento nacional de interesse internacional.
sábado, 24 de Janeiro de 2009
Património imaterial
Ouça aqui um debate no âmbito do programa da TSF "Encontros com o Património" sobre patromónio imaterial. Participação de Manuel João Ramos, Clara Cabral, António Medeiros e Paulo Costa, com a moderação do jornalista Manuel Vilas Boas.
quarta-feira, 31 de Dezembro de 2008
2008, um ano para esquecer...
A menos de oito horas de terminar o ano, não acreditamos que algo de bom possa ainda acontecer em 2008. Pelo menos, algo sobre que valha a pena escrever.
A nível interno, pese a máquina propagandística do governo, Portugal continua a divergir da média do espaço europeu onde estamos inseridos, uma tendência que se verifica há oito anos a esta parte. Na educação (com professores desmotivados após um ano de confrontação intensa e com os piores indicadores no Pisa) os resultados são desastrosos; na saúde (ver os relatos diários sobre os atendimentos nas urgências portuguesas ou a lista de espera das operações) estamos ao nível dos anos noventa; na justiça (com processos que não terminam mais e onde as decisões continuam a favorecer os mais poderosos) a situação é de corrupção generalizada; nas finanças (onde Sócrates, sem melhores argumentos, continua a repetir à exaustão o controlo do "déficit") tudo parece congelado.
Agora, que a crise internacional nos bateu à porta, os seus efeitos sobre a economia real não deixarão de fazer sentir-se. Limitados no poder de compra, os portugueses consumirão menos, o que conduzirá a uma menor produção e inevitáveis ajustes. As empresas fecharão a um nível ainda mais acelerado e o número de desempregados crescerá a níveis impensáveis (fala-se em 10% da população activa, em 2009!). No campo social, os números não mentem: 350.000 pessoas dependentes do Banco Alimentar, 2 milhões a viverem no limiar da pobreza e mais de 450.000 desempregados. A emigração voltou a aumentar e, pela primeira vez em anos, o saldo migratório entre os que saem e os que entram é desfavorável a Portugal. Ou seja, o nosso país deixou de ser atraente para os imigrantes e os portugueses procuram, de novo, o estrangeiro para poderem sobreviver.
A desculpa da crise internacional, a mantra governamental para justificar todos os males, sendo real não é a única razão, até porque a crise portuguesa é muito anterior à crise financeira dos mercados internacionais. De facto, Portugal não produz riqueza e continua a endividar-se e esse é um fenómeno que atravessa vários governos e tem vários responsáveis. Começou com a fuga de Guterres, a que se seguiu a fuga de Barroso, o desastre de Santana e a incapacidade de Sócrates. Todos eles, em maior ou menor escala, contribuiram para este panorama desolador. Resta lembrar que, todos eles, pertencem aos partidos que desde 1976 nos têm governado: o PS e o PSD. É bom que os portugueses tenham memória e a usem nas eleições marcadas para 2009. Depois, não podem dizer que não sabiam...
A nível interno, pese a máquina propagandística do governo, Portugal continua a divergir da média do espaço europeu onde estamos inseridos, uma tendência que se verifica há oito anos a esta parte. Na educação (com professores desmotivados após um ano de confrontação intensa e com os piores indicadores no Pisa) os resultados são desastrosos; na saúde (ver os relatos diários sobre os atendimentos nas urgências portuguesas ou a lista de espera das operações) estamos ao nível dos anos noventa; na justiça (com processos que não terminam mais e onde as decisões continuam a favorecer os mais poderosos) a situação é de corrupção generalizada; nas finanças (onde Sócrates, sem melhores argumentos, continua a repetir à exaustão o controlo do "déficit") tudo parece congelado.
Agora, que a crise internacional nos bateu à porta, os seus efeitos sobre a economia real não deixarão de fazer sentir-se. Limitados no poder de compra, os portugueses consumirão menos, o que conduzirá a uma menor produção e inevitáveis ajustes. As empresas fecharão a um nível ainda mais acelerado e o número de desempregados crescerá a níveis impensáveis (fala-se em 10% da população activa, em 2009!). No campo social, os números não mentem: 350.000 pessoas dependentes do Banco Alimentar, 2 milhões a viverem no limiar da pobreza e mais de 450.000 desempregados. A emigração voltou a aumentar e, pela primeira vez em anos, o saldo migratório entre os que saem e os que entram é desfavorável a Portugal. Ou seja, o nosso país deixou de ser atraente para os imigrantes e os portugueses procuram, de novo, o estrangeiro para poderem sobreviver.
A desculpa da crise internacional, a mantra governamental para justificar todos os males, sendo real não é a única razão, até porque a crise portuguesa é muito anterior à crise financeira dos mercados internacionais. De facto, Portugal não produz riqueza e continua a endividar-se e esse é um fenómeno que atravessa vários governos e tem vários responsáveis. Começou com a fuga de Guterres, a que se seguiu a fuga de Barroso, o desastre de Santana e a incapacidade de Sócrates. Todos eles, em maior ou menor escala, contribuiram para este panorama desolador. Resta lembrar que, todos eles, pertencem aos partidos que desde 1976 nos têm governado: o PS e o PSD. É bom que os portugueses tenham memória e a usem nas eleições marcadas para 2009. Depois, não podem dizer que não sabiam...
segunda-feira, 22 de Dezembro de 2008
Hotel Jerónimos
No meio da catadupa de notícias, ultimamente vindas a lume sobre a insanidade de quem nos governa, aquela sobre o novo regime proposto para os bens públicos é demasiado surrealista para poder ser levada a sério. E, no entanto, o texto é de tal forma abrangente que, segundo diversos especialistas, até a Torre de Belém poderá ser um dia ser posta à venda...
Esta é, de resto, a opinião das 21 associações que fazem parte da Plataforma pelo Património Cultural, a qual publicou já um documento a exigir a suspensão imediata deste processo legislativo. No mesmo sentido, pronunciaram-se especialistas na matéria, como a jurista Maria João Silva (no "Público") que chama a atenção para o texto desta proposta governamental, onde são apenas considerados de domínio público "os bens culturais imóveis que sejam simultaneamente monumentos nacionais e propriedade do estado" podendo estes ser "objecto de uso privativo" para além da "venda e oneração pelas vias do direito privado".
A ser aprovado o projecto-lei, qualquer monumento classificado - da Torre de Belém aos Jerónimos - passaria assim a estar abrangido por este decreto e, nesse sentido, disponível para aluguer, ou mesmo venda a privados (?!). De resto, a jurista citada, dá o exemplo do Mosteiro de Alcobaça, para o qual existe há anos um hotel de charme projectado.
Começamos agora a entender melhor as palavras do Ministro de Cultura, aquando da sua tomada de posse ("fazer mais com menos", disse ele), num ano em que o orçamento do ministério foi reduzido a metade e não ultrapassa hoje os 0,2% do OE. Só um advogado podia pensar em tal receita milagrosa. De facto, porque não alugar os Jerónimos a uma empresa de "catering"? Sempre é uma forma de combater a crise...
Esta é, de resto, a opinião das 21 associações que fazem parte da Plataforma pelo Património Cultural, a qual publicou já um documento a exigir a suspensão imediata deste processo legislativo. No mesmo sentido, pronunciaram-se especialistas na matéria, como a jurista Maria João Silva (no "Público") que chama a atenção para o texto desta proposta governamental, onde são apenas considerados de domínio público "os bens culturais imóveis que sejam simultaneamente monumentos nacionais e propriedade do estado" podendo estes ser "objecto de uso privativo" para além da "venda e oneração pelas vias do direito privado".
A ser aprovado o projecto-lei, qualquer monumento classificado - da Torre de Belém aos Jerónimos - passaria assim a estar abrangido por este decreto e, nesse sentido, disponível para aluguer, ou mesmo venda a privados (?!). De resto, a jurista citada, dá o exemplo do Mosteiro de Alcobaça, para o qual existe há anos um hotel de charme projectado.
Começamos agora a entender melhor as palavras do Ministro de Cultura, aquando da sua tomada de posse ("fazer mais com menos", disse ele), num ano em que o orçamento do ministério foi reduzido a metade e não ultrapassa hoje os 0,2% do OE. Só um advogado podia pensar em tal receita milagrosa. De facto, porque não alugar os Jerónimos a uma empresa de "catering"? Sempre é uma forma de combater a crise...
quinta-feira, 16 de Outubro de 2008
Encontro Internacional de Museus do Trabalho
Decorre de 29-30 de Outubro no Museu de Portimão. Programa e inscrições aqui.
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